Sunday, December 12, 2010

Transportando queijos.


Uma coisa é importante lembrar: queijo fede. Queijinho, queijão, francês, português, espanhol, nordestino. Queijo é queijo e, bastou degelar um pouco, libera seus famosos “gases”. Então é preciso tomar todos os cuidados para que o queijo feda o menos possível.

Os queijos em geral suportam bem uma pequena variação de temperatura no transporte. Por isso, não é necessário congelar, até porque o degelo durante a viagem pode acarretar o fenômeno da água fedida de gelo sobre suas roupas.

Houve uma vez que estava voltando de Paris e encontrei um conhecido. Estávamos na fila do check in e ele tinha uma sacola com dois ou três queijos. Recomendei que ele despachasse a sacola dentro da mala, mas ele disse que não precisava. Passadas menos de duas horas de vôo, os queijos começaram a feder. Cada vez que alguém abrir a porta do compartimento de bagagem, um cheiro insuportável tomava conta do avião. Todo mundo reclamava. E, depois de algum tempo, nem precisava mais abrir a porta.

Desde a minha primeira viagem à França, em 2004, tenho aprimorado o método de embrulhar queijos para trazer nas viagens. Da primeira vez, embrulhei-os um a um em papéis de pão e sacolinhas de supermercado e acondicionei-os entre as roupas sujas. Foi realmente uma prova de fogo, porque minha conexão foi cancelada devido a um acidente e tive que permanecer 24 horas a mais. Eles chegaram sãos e salvos, mas acho que foi graças ao inverno de Chicago e o clima frio dentro do compartimento do avião que eles não estragaram.

Os anos foram passando, e fui testando novas técnicas de transporte. Embrulhar os queijos separadamente em filme plástico (Rolopac, Magipac), geralmente é uma ótima alternativa. Em minha penúltima viagem, embrulhei-os dessa forma e ainda coloquei-os dentro de uma sacola térmica vendida nos supermercados e eles chegaram geladinhos! Mas em minha última viagem, a pressa e a preguiça deram origem a uma nova e eficiente forma de acondicionamento: embrulhei a sacola térmica que continha os queijos com várias voltas de filme plástico. O resultado foi perfeito, pois eles chegaram geladinhos, não tive que embrulhar um por um e o pacote ficou firme, evitando que eles sofressem alguma deformação.

Já trouxe queijos de vários lugares, mas na França, costumo comprar os queijos no supermercado, de várias marcas, tamanhos e modelos. Eles são mais baratos, um pouco mais industrializados, portanto duram mais e são menos fedidos que nas fromageries (lojas especializadas em queijos). Os meus prediletos são: um tipo de camembert chamado Pié d´Angloys, um cambert chamado Coeur de Lyon, o brie e o camembert Président, os queijos cremosos da marca La Vache Qui Rit ( The Laughing Cow), os queijos de cabra (fromage de chèvre) e os camemberts de Chèvre. Além desses, tem um tipo de queijo da região da Normandia que é bastante aerado, chamado Neufchâtel e principalmente o meu predileto, chamado Gaperon. O Gaperon é um queijo de vaca preparado com alho e pimenta do reino, proveniente da região de Auvergne.

Já trouxe queijos de Praga, de Portugal, da Alemanha, dos Estados Unidos. Em Portugal, vale à pena trazer duas relíquias que são caríssimas aqui no Brasil: o queijo da Serra da Estrela e o queijo do Azeitão. Eles têm basicamente o mesmo processo de fabricação: são queijos curados de leite de ovelha que criam uma casca externa amarelada e são compostos de um maravilhoso creme por dentro. Para comer, tira-se com pelo menos meia hora de antecedência da geladeira, abre-se a “tampa” da casca do queijo e come-se passando no pão, às colheradas. O queijo do Azeitão tem um sabor ligeiramente mais ácido, que eu acho até mais saboroso. Por serem bastante delicados, a casca vem embrulhada lateralmente em um pano branco e muitas vezes são acondicionados em caixas de papel ou de madeira.

Em New York, a minha “pérola queijeira” é um queijo pecorino italiano vendido no Dean & Deluca. O pecorino é um queijo de leite de ovelha cujo gosto lembra o parmesão. Já comi vários pecorinos, mas esse, em especial, tem um sabor forte e uns micro-cristais salgadinhos no meio. Não me recordo a marca do queijo; só posso dizer que é fantástico. Esse não é difícil de transportar: é caro, duro e não fede muito. Basta embrulhar numa sacola plástica.

1 comment:

  1. Será que sua técnica funciona para enviar queijo Minas do Brasil para o Canadá? Não o curado, mas o queijo Minas fresco. A maturação dele acho que é algo em torno de 20 dias, se me recordo bem.
    Agradeço qualquer dica.
    Abraços,

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