Monday, August 26, 2013

“Quem não gosta de... moqueca... bom sujeito não é”


Lógico que existem moquecas e moquecas. Mas eu amo quase todas. Não é preciso ter luxo, salamaleques, piriguetoses. Aliás, a melhor moqueca que eu comi foi num boteco de praia, em Itacaré e também foi a mais barata até hoje.

Pode-se fazer moqueca de quase tudo. Peixes, frutos do mar, camarão seco. Tem moqueca até de coisas “não-marítimas”, como o maturi, a castanha-de-caju verde. O importante é que os produtos sejam frescos e que seja feita com amor.

Em São Paulo, já comi excelentes moquecas, como a “Moqueca da Jôse de Boipeba”, com camarão e banana-da-terra, servida no Obá; palmas também para a moqueca de pintado da Rota do Acarajé. Recentemente conheci um paraíso da culinária baiana aqui em São Paulo. É o Patuá da Baiana, situado em pleno coração do bairro do Bixiga, onde a Bá, uma baiana “porreta”  e muito da simpática, recebe os clientes em sua própria casa cozinhando o que há de melhor da baianidade.

Já em Salvador, dá pra comer moqueca em qualquer canto: minhas prediletas são as servidas no Donana, mas se você quiser algo mais “chiquetoso”, pode ir no Maria Matamouro, no Pelourinho. Se você for a Ilhéus, vale a pena dar uma passada no Vesúvio (“bar do Nacib”), uma “fusion” de comida árabe e baiana e que serve uma moqueca maravilhosa.

Agora, com os preços assustadores dos restaurantes em São Paulo, melhor mesmo é fazer uma bela moqueca em casa.

E por falar em amor, essa postagem foi inspirada na moqueca que preparei para o almoço de aniversário de uma amiga que, apesar de recente, tem se mostrado uma das “grandes”.

Então anote aí os ingredientes para uma “moquecona” que serve bem umas dez pessoas:
2,5 kg de peixe fresco (prefira os peixes carnudos, como robalo, badejo, pintado, porquinho, vermelho, pirarucu, tucunaré e até bacalhau) ou pode substituir por frutos do mar de sua preferência.
01kg de cebolas cortadas em rodelas grossas
06 dentes de alho picados
03 pimentões grandes (eu gosto de colocar um de cada cor: vermelho, verde e amarelo) cortados em rodelas
01 kg de tomate picado
01 litro de leite de coco
03 pimentas dedo-de-moça picada sem sementes
10 pimentas-de-cheiro ( pode ser biquinho ou outra que não seja ardida)
Sal
Azeite de dendê ( nesse caso usei também os caroços de dendê, que liberam seu óleo no cozimento)
Salsinha e cebolinha
Coentro

Modo de preparar:

Acredito que cada um tenha seu “jeito certo” de preparar a moqueca, e eu tenho o meu e isso não quer dizer que seja o “mais certo”, mas é o jeito que deu certo para mim e que faz as pessoas agradecerem a dávida de saborear minha moqueca.  Pode usar qualquer panela, mas eu prefiro usar as tradicionais “moquequeiras” de barro.

Pegue a panela e coloque no fogo.  Coloque um pouco de azeite-de-dendê para esquentar. Quando levantar uma ligeira fervura, coloque o alho para dourar. Desligue o fogo e vá montando os ingredientes em camadas (peixe, tomates, cebolas, deixando os pimentões por cima), e jogue os outros ingredientes por cima. Pode completar a panela com um pouco de água, mas cuidado para não exagerar para não deixar a moqueca aguda.

Aqui em São Paulo as pessoas não costumam gostar muito de coentro. Eu costumo colocar alguns galhos bem picadinhos no cozimento (para que eles não sejam reconhecidos) e picar um pouco de coentro por cima para dar aquele cheirinho, mas também costumo deixar uma porção separada “extra” para mim e para as pessoas que curtem.

Cozinhe em fogo alto, com a panela tampada e vez ou outra dê uma olhada para experimentar e certificar que não está grudando no fundo. Quando os alimentos estiverem cozidos, o caldo fervendo cheiroso e borbulhante, está pronto para servir.

Para mim,  uma boa moqueca se come com arroz de coco, farofa de dendê e feijão de leite, que explicarei a seguir.

Arroz de coco

Existem várias maneiras de fazer arroz de coco. Para acompanhar a moqueca, gosto dele bem sequinho e com pouco açúcar. Para 01kg de arroz, basta substituir 2 xícaras de água por 500ml de leite de coco e acrescentar um pacotinho de coco ralado. Se puder comprá-lo fresquinho na feira, tanto melhor. Acrescente sal, cebola, alho e 02 colheres de sopa cheias de açúcar.

Feijão de leite

O feijão de leite é uma papa de feijão levemente adocicado que cai muito bem com as moquecas. Embora os paulistas estranhem muito essa mistura, é um delicioso acompanhamento, tipicamente baiano.

Se você quiser, pode cozinhar 1/2kg de feijão até desmanchar e depois bater no liquidifador até virar um creme. Se quiser facilitar a vida, compre 500g de feijão já cozido. Se os grãos estiverem inteiros, bata no liquidificador. Num pouco de azeite, doure o alho e ½ cebola bem picada e jogue a pasta de feijão. Acrescente 02 colheres de sopa de açúcar, sal e 01 xícara de leite. Cozinhe em fogo médio até ficar uma papa bem espessa.

Farofa de dendê

Compre 01kg de farinha de mandioca daquelas amarelinhas que são vendidas em casas no norte. Numa panela ou frigideira, aqueça uma xícara de azeite de dendê e vá acrescentando a farinha, mexendo com cuidado até toda a farinha adquirir a cor amarelo-dourado do dendê.

A para beber, acho que moqueca combina mesmo é com uma cerveja bem gelada. Minha recomendação são as cervejas tradicionais, como uma bela Itaipava ou Original.

E um bom apetite!

Em São Paulo:

Obá!
www.obarestaurante.com.br/‎
R. Dr. Melo Alves, 205, Jardins -  São Paulo
(11) 3086-4774











Rota do Acarajé
www.rotadoacaraje.com.br/‎
R. Martim Francisco, 529, Santa Cecília -  São Paulo
(11) 3668-6222
 









Patuá da Baiana
https://www.facebook.com/patuadabaiana
Ela não divulga o endereço; se estiver interessado, ligue e marque.
(11) 3115-0513











Em Salvador:

Donana







1- Brotas. Avenida Teixeira Barros, boxes 1 a 7, Brotas – Salvador
Centro Comercial do Conjunto dos Comerciários
(71) 3351-8216


2- Villas do Atlântico.Rua Praia de Itapoan. Qd 04 - Lote 06, S/N. Villas do Atlântico - Lauro de Freitas - BA
(71) 3379-4364 | (71) 3379-7674

Maria Mata Mouro
www.mariamatamouro.com.br/‎
Rua da Ordem Terceira, Pelourinho. Salvador
(71) 3321-3929















Em Ilhéus:

Bar Vesúvio
http://www.barvesuvio.com/
Praça Dom Eduardo,190 – Centro- Ilhéus/BA
(73)3634-2164
(73)3634-4724

Saturday, August 10, 2013

Noite Especial: Hambúrguer com Castanha-Do-Pará e Trufas, Risoto De Vodka e Maionese de Trufas




O bom de chegar de viagem de Paris é vir carregado de comidinhas gostosas para saborear ao longo do ano, até a próxima viagem. E nessa última viagem, resolvi aproveitar para trazer trufas negras. Por incrível que pareça, tem muita gente que ainda não sabe o que são trufas e confunde com as deliciosas trufas de chocolate (desde que não sejam da Cacau Show...)

Trufas são fungos. Melhor dizendo: são “cogumelos” que brotam na terra na Itália e na França. São raros e por isso caros, e geralmente só é possível encontrar usando cães farejadores ou porcos, que as encontram instintivamente pelo cheiro maravilhoso que exalam. Até pouco tempo atrás, ninguém havia conseguido cultivar as trufas, como os cogumelos do sol, os shitakes e os shimejis. Muito recentemente, parece que os chineses conseguiram desenvolver um método de cultivo. O lado bom é que a trufa vai baratear; o lado ruim é que, em alguns poucos anos, vai ter trufa até nas quiches empedradas dos “quilos” e nas barraquinhas dos camelôs da 25 de Março. Mas as boas trufas continuarão sendo raras e caras.

As trufas de chocolate surgiram inspiradas na forma arredondada das trufas-fungo e acabaram ganhando mais fama do que a original.

Nem todo mundo gosta de trufas. Tem gente que estranha o cheiro e o sabor delas. Sexismos à parte, em geral vejo que as mulheres gostam menos que os homens. Parece para mim um sabor “masculino”, mas vejo que, pouco a pouco, mais e mais pessoas vão tomando contando com essa maravilhosa iguaria.

Como as trufas geralmente são muito caras aqui no Brasil, devido à importação e à difícil conservação (são frágeis e delicadas, estragam facilmente), é mais fácil que se tenha o primeiro contato com temperos e alimentos misturados às trufas, como o sal e o azeite trufado. Mesmo assim, deve-se tomar cuidado. A maioria dos sais e azeites que comprei aqui no Brasil são de péssima qualidade. Os sais porque têm poucas trufas e às vezes misturados com outros temperos; os azeites porque muitas vezes têm essência artificial de trufas, o que os torna enjoativos.

De todo modo, ambos devem ser consumidos rapidamente ou conservados em geladeira, porque estragam rápido. O melhor sal trufado que já comi é vendido no armazém Dean &De Luca, nos Estados Unidos. Mas a quantidade é tanta que costumo distribuir entre os amigos para não dar tempo de estragar.  Tanto o sal quanto o azeite não devem ser cozidos; eles são feitos para finalizar os pratos. Sem dúvida alguma, o melhor alimento que Deus inventou para comer com trufas foi o ovo. Omelete, ovo frito, ovo mexido, qualquer um. Experimente.

Voltando à Cozinha do Doutor Fofinho, trouxe de Paris uma pequena quantidade de trufas negras. Sinceramente, não foram as melhores trufas que já comi, mas creio que isso se deve justamente à dificuldade de conservação aqui no Brasil. A idéia de fazer uma maionese de trufas surgiu do meu “maridão” para comermos com um delicioso hambúrguer, enquanto assistíamos um episódio do programa de culonária do (delicioso!) Rodrigo Hilbert, no qual ele preparou hambúrgueres para seus “bros” e fez uma maionese com ervas. Em geral, muita gente estranha colocar “chiquê” num hambúrguer. Mas, para mim, hambúrguer é mais que um lanche, um fast-food. É uma comida deliciosa e que pode ser uma bela e sofisticada refeição, além de fácil  e barata (claro, sem trufas).

Comecemos pela maionese: cada vez menos as pessoas fazem maionese em casa. Eu sugiro que experimentem. Maionese clara, leve, sem conservantes, muito mais saborosa. Ela pode ser acrescentada de ervas e outros temperos para dar sabor e dessa vez escolhemos colocar trufas. Maionese caseira não dura muito; deve ser feita para consumo imediato e dura no máximo mais um dia guardada em geladeira. Depois disso, o risco de contaminação por bactérias é bastante grande.

Pegue 2 ovos inteiros (no caso usei ovo caipira, comprado em granja), cerca de um litro de óleo (eu usei óleo de canola, mas pode ser de milho, etc), uma pitada de sal e gotas de limão. Num liquidificador, coloque os dois ovos inteiros para bater alguns segundo e, logo após comece a despejar o óleo, continuamente, até “dar o ponto”, que é quando a mistura se solidifica, adquirindo a consistência cremosa da maionese. Assim que deu o ponto, desligue o liquidificador.  Adicione uma pitada de sal e umas gotas de limão. Nesse ponto eu coloco as trufas e bato no liquidificador para dar uma dissolvida e misturada básica. Na ausência de trufas, pode usar ervas, como alecrim, salsinha e cebolinha. Uma outra sugestão é colocar funghi porcini, um tipo de cogumelo que tem um cheiro de carne de porco delicioso. Vale lembrar que fiz a maionese na parte da manhã, para pegar o sabor e aroma das trufas até a hora do jantar.

O hambúrguer é uma das minhas paixões. Em cada receita em mudo algum ingrediente, invento alguma coisa. Dessa vez, quis acrescentar castanha-do-Pará moída para dar uma certa “crocância” e alguns pedacinhos de trufas que sobraram. A receita do maravilhoso hambúrguer já está disponível numa outra postagem
( http://acozinhadodoutorfofinho.blogspot.com.br/2011/03/hamburguinho-do-doutor-fofinho.html), com a diferença que, desta vez, não adicionei o queijo no meio e coloquei castanhas e trufas, além de ter usado cebola roxa ao invés da branca,  mas basicamente é a mesma.

O hambúrguer pode ser preparado no grill do forno, em grill elétrico do tipo George Foreman ou na frigideira. Desta vez resolvi fazê-lo frito, na manteiga, numa frigifeira refratária.  Para a manteiga não queimar, acrescente um pouco de azeite. Particularmente, eu gosto do hambúrguer mal passado, vermelhinho por dentro. Para ele não queimar por fora e ficar muito cru ou frio por dentro, frite em  fogo médio. Como ele fica pronto rápido, deixe para fritá-lo quando o acompanhamento estiver quase pronto).

É claro que hambúrguer combina muito com batata frita, mas para evitar aquele cheiro de fritura pela casa e como não tenho uma fritadeira elétrica, preferi acompanhar o hambúrguer com um risoto simples, leve,  para não “roubar” o aroma da trufa.

Se não quiser risoto e nem fritas batatas, uma deliciosa opção é a batata rústica, assada, que é muito simples de fazer. Pegue 2kg de batatas pequenas, de casca escura, lave bem e corte em cubos grandes. Coloque numa panela com água para dar uma leve fervura. Cuidado para não deixar amolecer muito, porque senão fica uma porcaria. Escorra bem a água. Unte a assadeira com bastante azeite de oliva e coloque as batatas. Acrescente uns 10 dentes de alho com casca, alecrim fresco ou seco, e sal grosso. Jogue mais azeite por cima. Coloque para assar em temperatura máxima e a cada 15-20 minutos dê uma “sacudida” de leve na assadeira para movimentar as batatas. Elas estarão prontas quando estiverem macias e com a casquinha crocante.

Mas o risoto, além de fácil e barato, é bem fácil de fazer.  Faça um caldo (“brodo”) com água, azeite, sal, uma cebola inteira com casca e tudo, 2 dentes de alho inteiros, alguns grãos de pimenta-do-reino e um copo de vodka. Deixe ferver bastante para pegar o gosto. Numa panela funda, que pode ser uma Wok, aqueça uma colher de sopa de manteiga, doure um dente de alho picado e coloque 02 xícaras de arroz de risoto (arbóreo, por exemplo).  Coloque um pouco do caldo, refogue por alguns minutos e vá cozinhando o arroz, acrescentando sempre o caldo que será mantido em fervura, completando-o com mais água se necessário. Após 15 a 20 minutos de cozimento, acrescente uma quantidade generosa de vodka (cerca de 1 copo e ½) e continue cozinhando. Quando estiver quase pronto, é o tempo de fritar os hambúrgueres. O ponto do risoto é particular. Eu gosto dos grãos macios,  molinhos, mas cuidado para não cozinhar demais e transformar numa meleca grudenta.

Para ficar chique, monte um prato com o hambúrguer, um pouco do risoto ( ou das batatas) e ponha um pouquinho da maionese no prato, ao lado, ou deixe num potinho na mesa para que as pessoas se sirvam.

Como sugestão, acho que um vinho encorpado combina muito bem com um prato sofisticado como esse e minha sugestão é o Barolo.


Bom apetite!


Friday, August 2, 2013

Cadê, cadê? Tá aqui: Escondidinho de Fumeiro.



 Não, não. Fumeiro não é aquele sujeito perigoso que ficava fumando drogas encostado no muro da esquina. Isso é fumeta. Fumeiro é o nome de origem portuguesa que se dá ao local onde se defumam carnes e embutidos. Talvez pela preguiça, o nome acabou virando o sinônimo das carnes de porco defumadas. Na Bahia, a carne de fumeiro é tipicamente uma carne suína magra, espessa, levemente salgada e defumada.

Toda vez que vou a Salvador trago um pouco dessa carne maravilhosa. É fácil de preparar, podendo ser frita no azeite, refogada e até assada, sem necessidade de dessalgar e com um sabor maravilhoso, levemente adocicado.

Há um jeito bastante comum de se comer fumeiro na Bahia: “puxado” (levemente frito) no azeite, refogado com cebola e servido com saladinha de tomate e cebola e farinha de mandioca. Mas a forma que eu mais gosto de comer fumeiro é no escondidinho. No bar Padaria, em Salvador, eles fazem um escondidinho de fumeiro com purê de banana-da-terra, que fica delicioso. No Sotero, em São Paulo, eles servem um escondidinho com purê de mandioca mesmo, também espetacular. Certa
Vez provei o fumeiro preparado de um jeito delicioso: levemente frito, servido como sanduíche com requeijão no pãozinho delícia, um pão sovado bem macio, tipicamente baiano.

 

Mas vou falar aqui do escondidinho de fumeiro que fiz em casa recentemente, com purê de mandioca. A mandioca, confesso, foi especialmente trazida de uma fazenda  baiana, razão pela qual era bem amarela. Mas servem as mandiocas paulistas pálidas e até mesmo as mandiocas já cozidas vendidas congeladas nos supermercados.  Então anote aí os ingredientes:

01kg de mandioca cozida
01 kg de carne de fumeiro picada em cubos
03 cebolas grandes
04 dentes de alho picados
03 bananas-da-terra.
Manteiga
Sal
Pimenta do Reino
Queijo coalho ou queijo amarelo (estepe, gouda, prato) ralado.
Azeite de dendê.

Descasque e cozinhe a mandioca na panela de pressão ou compre já cozida. Ela tem que estar bem mole, para ser fácil de desmanchar. Bata no liquidificador até formar uma pasta homogênea. Talvez precise acrescentar um pouco de água ou leite para fluidificar.

Numa panela, derreta uma colher de manteira em fogo baixo e refogue 02 dentes de alho e uma cebola bem picados. Adicione o creme de mandioca e mexa sem parar até adquirir uma consistência mais firme. Se estiver muito liquida, adicione um pouco de farinha de mandioca para engrossar, mas não muito. Desligue o fogo e reserve.


Derreta uma colher de sopa de manteiga numa panela larga, tipo wok. Refogue o alho e a cebola restantes bem picados. Adicione uma ou duas colheres de sopa de azeite de dendê e frite as bananas (já cortadas em rodelas largas). Quando estiverem douradas, adicione o fumeiro e refogue por alguns minutos. Pode adicionar um pouco de pimenta à mistura.

Numa travessa refratária ou numa assadeira funda, unte o fundo com um pouco de manteiga e forre com creme de mandioca. Adicione todo o conteúdo da carne se couber e distribua pela assadeira de modo uniforme. Cubra com o restante do creme de mandioca. Rale o queijo e polvilhe o sobre o prato.
 
Leve em forno pré-aquecido em alta temperatura. Deixe no forno até ver levantar borbulhas e dourar o queijo. Pode ser servido com arroz branco ou com farinha de mandioca torrada.
 


Para beber, sugiro uma boa cervejinha. Minha sugestão é a Colorado Indica, feita com rapadura, com sabor amargo e levemente adocidado.

Um bom apetite! 













Padaria Bar 
Rua João Gomes, 43 - Rio Vermelho - Salvador - Bahia 
Telefones: 
71 3018 4413 / 3016-4412 
http://www.padariabar.com.br

Sotero - Cozinha Original
R. Barão de Tatuí, 272 - Santa Cecília  São Paulo
Telefone:
11 3666-3066
http://www.soterorestaurante.com.br

Sunday, May 26, 2013

Baianidade intrínseca: Arroz de Haussá.



Os haussás ou hauçás são um povo muçulmano oriundo do Norte da Nigéria e que foram escravizados pelos peules no final do Século XVIII e vendidos para os traficantes portugueses. O arroz de Haussá é uma iguaria deliciosa que servida em alguns restaurantes baianos, como o Dona Mariquita, em Salvador e o Sotero, em São Paulo. Basicamente é um arroz de coco doce, com carne seca acebolada e camarões secos. O legal do prato é que ele é servido “montado” artesanalmente, ao invés de simplesmente misturar os ingredientes.

E por falar nos restaurantes, o Dona Mariquita em Salvador, é um restaurante de comida regional baiana que serve pratos maravilhosos como esse arroz, a maniçoba e tantos outros. É um espaço simples e charmoso, decorado com peças de artesanato, sendo que muitas estão à venda. O preço é moderado e os pratos servem “uma pessoa e meia”, como costumo brincar. É interessante dividir uns dois pratos para três ou quatro pessoas (isso se forem pessoas que comem pouco).


E para quem não puder ir a Salvador, o Sotero em São Paulo, um novo restaurante de comida baiana na cidade, tem o arroz em seu cardápio. Ambiente interessante, num salão amplo, bem descontraído, servem desde lanches e pratos rápidos como comidas mais elaboradas da culinária baiana. Além do arroz, vale a pena comer o pãozinho delícia (um pão sovado bem macio tipo do café da manhã baiano) recheado com carne de fumeiro (carne de porco seca defumada) e queijo. Infelizmente, o Acarajé, motivo de minha ida ao restaurante, deixou a desejar: muito pequeno e vem somente com vatapá e camarão seco. Embora seja a receita mais tradicional, eu prefiro ele acompanhado de caruru e saladinha. A  cerveja é bem geladinha.



Então anote aí os ingredientes:

01kg de carne seca de boi
1/2kg de camarão seco
½ kg de arroz
04 cebolas grandes cortadas em rodelas finas
01 vidros de leite de coco
01 pacotes de coco ralado ou 01 xícara de coco fresco
01 xícara de açúcar
Azeite de dendê (para quem não gosta de dendê, substitua por manteiga de garrafa ou azeite de oliva mesmo)
Sal
Pimenta do reino
Manteiga


Modo de preparar:

Deixe a carne de molho para dessalgar de um dia para o outro, trocando a água várias vezes. Feito isso, retire o excesso de gordura e coloque a carne para cozinhar na pressão até que fique bem macia. Jogue a água fora, retire os excessos de gordura, desfie bem a carne com um garfo e reserve.

Deixe os camarões secos de molho na água para dessalgar e troque também a água várias vezes. Limpe os camarões, tirando a cabeça, as perninhas e o rabo. Lave bem em água corrente e reserve.

Faça o arroz do modo como costuma fazer, apenas substituindo uma parte da água por leite de coco e adicionando o coco ralado e o açúcar. Eu costumo fazer o arroz na panela elétrica, mas pode ser feito no fogo. Lembre-se apenas de desligar antes de secar totalmente, para ele ficar mais “molhadinho”. Coloque um pouco de sal, mas menos do que costuma colocar no arroz tradicional.

Enquanto o arroz vai sendo preparado, coloque ½ xícara de dendê para esquentar. Quando estiver quente, refogue a cebola até ela ficar dourada e mole. Nesse momento, misture a carne seca e vá mexendo até ela ficar bem brilhante com o dendê. Acrescente a pimenta do reino e também pode colocar outros tipos, como a malagueta, mas isso depende do paladar de cada um. Após refogar a carne, desligue o fogo e reserve. Na mesma panela (retirando a carne com cebolas), esquente mais ¼ de xícara de dendê e refogue o camarão seco.

Quando o arroz estiver pronto, desligue e coloque com cuidado o arroz numa assadeira com buraco no meio, enchendo até em cima. Acomode o arroz batendo algumas vezes na pia e depois vire a assadeira no recipiente onde será servido o arroz. Pode ser um tacho, um prato de bolo, uma gamela. Dê preferência a um recipiente raso para o prato ficar mais bonito. Após virar o arroz, preencha o buraco com camarões e coloque a carne seca em volta dele. Se não tiver uma assadeira com buraco no meio pode montar o prato em camadas. Sirva pegando um pouco de cada coisa. O resultado é fabuloso: o salgado da carne e do camarão se atenua com o doce do arroz.

Para o prato, acho que uma boa cervejinha cai muito bem. Eu recomendo uma das minhas prediletas, a Colorado Indica, feita em Ribeirão Preto, composta de rapadura, com uma fusão de amargo-adocicado bem interessante.



Dona Mariquita
R. do Meio, 178, Rio Vermelho  Salvador - BA, 41940-426
(71) 3334-6947
A casa está aberta diariamente das 12h às 17h.
De Quarta a Sábado das 12h às 00h.

Sotero – Cozinha original            
R. Barão de Tatuí, 272 - Santa Cecília  São Paulo, 01226-030
(11) 3666-3066
(Por razões que “não me pertencem”, o site parece estar fora do ar)

Monday, May 20, 2013

Arroz Carreteiro com Charque de Ovelha



Já comi várias vezes arroz carreteiro. Mas há algumas semanas experimentei o melhor deles – até hoje. Estava em São Lourenço do Sul/RS e experimentar por singelos 7 reais um delicioso carreteiro feito num tacho de ferro colocado na lenha. Mas não parou por aí. Bastou minha amiga de lá anunciar que havia um delicioso charque feito de carne de ovelha e que era difícil de preparar que se instalou o chip da obsessão em minha mente. Prá quem não sabe, charque é um tipo de carne seca, salgada, encontrada em todo o país.

Voltando para Porto Alegre para pegar o avião para a cinzenta Sampa, aproveitei para dar uma parada no Mercado Municipal para comprar uns vinhos e eis que encontro o tal charque de ovelha.

E então chegou o grande dia! Almoço para pessoas queridas com um delicioso arroz de carreteiro “afofoletado”. Existem milhares de receitas desse arroz por aí; o importante é ter ingredientes de boa qualidade e cozinhar com amor. É claro que deve ser difícil encontrar esse tipo específico de charque por aí, mas vale usar os mais comuns mesmo, de carne bovina.

Então anote aí os ingredientes para um panelão que serve dez pessoas:

2kg de charque ( de ovelha ou bovina)
01 kg de arroz ou 04 xícaras
01 kg de feijão (preto ou vermelho)
04 cebolas grandes picadas em cubos
01 cabeça de alho (pode picar os dentes ou deixá-los inteiros)
01 maço de cheiro verde picado
06 pimentões (verdes e vermelhos) picados
½ kg de pinhão (cozidos e picados em rodelinhas)
Sal ( com cuidado)
Azeite
Manteiga
Pimenta malagueta
01 litro de vinho tinto
05 limões
Cominho
Noz moscada

Preparo do charque:

O charque é bastante salgado, então é importante que fique  uns dias dessalgando, trocando sempre a água. Se for de ovelha, é uma carne com gosto bastante forte, então é importante, na véspera do prato, deixar de molho com 05 limões (esprema o suco dos limões, mas também deixe-os no molho e ½ litro de vinho. Depois enxágüe bem, tire o excesso de gordura com uma faca.

Você pode fazer o charque na panela de ferro, mas optei por cozinhar na panela de pressão junto com o feijão, para pegar mais gosto e amolecer bem a carne. Não há necessidade de temperar. Cozinha na pressão por 20 a 30 minutos e verifique se a carne e está mole e o feijão está inteiro. O feijão tem que ficar meio durinho. Separe o caldo da carne e o caldo do pinhão. Coloque para ferver numa chaleira e vá usando para colocar no arroz, completando sempre com água.

Numa panela grande (eu usei a minha “moquequeira de barro”), coloque 2 colheres de sopa de manteiga e 02 de azeite para esquentar. Doure o alho e a cebola. Acrescente o pinhão. Refogue bem e acrescente o arroz. Vá colocando água, depois coloque a carne e os pimentões, junto com o vinho. Quando o arroz estiver quase pronto, adicione o feijão e misture tudo. Adicione a pimenta malagueta, bem picadinha. Coloque o cominho e a noz moscada. Coloque sal se for preciso. Quando desligar o fogo, adicione o cheiro verde, mexendo com cuidado para não esmagar o arroz. Pode incrementar com lascas de queijo-manteiga nordestino.


Sirva com molho de pimenta e acompanhado de uma salada de alface e tomate, só prá “rebater” o peso. Acho que o prato combina tanto com uma cervejinha como com um vinhozinho tinto.











Como a minha inspiração veio dos Pampas, eu sugiro um Casa Valduga Duetto Pinot Noir / Shiraz.

E bom apetite!

Monday, May 6, 2013

Baião-de-dois com Banana Pacovan Frita e Queijo-manteiga



Isso ficou uma delícia. Na verdade, não fui quem preparou o baião. É um "jatevi", "sorobô" ou "restó d'ontê" do Restaurante Aconchego Carioca em São Paulo. Um baião delicioso e bem servido que tratei de "marmitar". Não, eu não tenho nenhuma vergonha de mandar embrulhar a comida que sobra. Faria isso até no Fasano se sobrasse alguma coisa. E no dia seguinte, daí o prato ficou completo. Tratei de fritar as bananas pacovan (banana-da-terra) no azeite de dendê e acrescentar cubos de queijo-manteiga ( ou requeijão-de-corte) e dar uma bela fritada da frigideira. O resultado foi impressionante.


Vinagrete de Polvo com Salada de Arroz Preto


Perdoe os repetecos, mas não resisti à tentação de postar mais uma edição do meu Vinagrete de Polvo. Agora com uma pequena variação: resolvi acrescentar ao prato uma salada de arroz preto. O arroz preto é uma variação do arroz integral, muito saudável e bem mais saborosa. Como ele é bem duro, tratei de cozinhar o arroz junto com o polvo na panela de pressão. Depois é só temperar com alho, cebola, sal, azeite e pimenta-do-reino, deixar na geladeira enquanto o polvo pega gosto e servir tudo junto.