Saturday, March 30, 2013

Cozido português, quem quer?






Quase todos os países têm um “cozido particular”. E, diga-se de passagem, cada você vai encontrar receitas diferentes para o cozido de um mesmo país. De uma forma geral, o cozido se constitui numa deliciosa mistura de diferentes carnes, legumes e verduras cozidos (dãããã!!!), servidos com arroz, farofa, pirão. É um tipo de comida fácil de fazer, que não envolve nenhum tipo de sabedoria culinária exclusiva. Também é um prato relativamente barato e prático para servir para “multidões” num dia frio.

Em primeiro lugar, é preciso de uma panela grande, dessas que se prepara feijoada. Mesmo que sejam poucas pessoas, uma grande panela vai ajudar a cozinhar todos os alimentos de uma forma pesada.

Aqui vai minha sugestão de ingredientes, mas lembre-se que você pode usar a criatividade e disponibilidade de ingredientes. Só não me venha com ketchup, caldo de carne industrializado e outras cretinices da modernidade. Anote aí:

01kg de acém picado em cubos
02 linguiças portuguesas
02 paios
02 chouriços (pra quem não se lembra, é aquela lingüiça feita com sangue, que pouca gente gosta...)
02kg de costela de boi
02kg frango (eu prefiro as coxas, mas pode colocar o que quiser)
01 kg de carnes salgadas (o que você preferir...rabo, orelha, toucinho)
300g de bacon
02kg de cenouras em cubos
01kg de batatas em cubos
01 kg de batatas-doces
02 maços de couve e/ou repolho
01 maço de cheiro-verde
01 ramo de alecrim
01 ramo de tomilho
06 cebolas picadas
12 dentes de alho
Azeite de oliva
Sal
Pimenta-do-reino
Noz moscada
Vinho branco
01 kg de farinha de mandioca.


Deixe todos os ingredientes já cortados e lavados, dessalgue as carnes e deixe as folhas de couve inteiras, tirando apenas os talos. O frango pode ser deixado marinando na véspera com sal, limão, alho, cebola e vinho branco.

Numa outra panela, que servirá para cozinhar o arroz, frite as costelas com um pouco de óleo. Vá adicionando água para que ela fique bem macia e amoleça. Esse preparo deixará um caldinho escuro da gordura na costela no fundo da panela, que servirá para cozinhar o arroz.  Quando estiver bem macia, desligue.

Na “panelona”, doure o alho e a cebola do azeite e comece fritando bacon, depois o acém. Deixe ele bem moreninho e, quando estiver bem cozido, adicione as costelas. Tem gente que prefere ir cozinhando as carnes uma a uma, mas eu gosto de colocar todas, porque assim vão ficando bem macias e com gosto. Adicione então o frango e vá acrescentando água aos poucos, sem deixar secar.  Coloque então as cenouras e complete com água e 02 copos de vinho branco.

Amarre o cheiro-verde, o tomilho e o alecrim com um barbante e mergulhe na panela. Ele vai ser retirado no final do cozimento. Adicione um pouco de sal, a noz moscada e a pimenta do reino. Coloque as carnes salgadas e complete com água. Cozinhe até perceber que as carnes estão macias acrescente as batatas-doces e depois de uns 20 minutos, coloque as batatas e as linguiças, exceto o chouriço. Deixe ferver.

Com a ajuda de uma concha, retire uma boa porção do caldo da panela (cerca de 2 litros) e reserve numa jarra. Complete com mais água na panela. E inicie o cozimento do arroz:

Leve aquela “gordurinha” da panela ao fogo e quando estiver quente, doure alho e cebola. Nessa panela prepare o arroz (usei 4 xícaras para essa quantidade de cozido) e use o caldo que você separou na jarra para cozinhar o arroz. Há quem prefira fazer um arroz de forno com esses ingredientes.

Quando as carnes e os legumes estiverem bem cozidos, coloque as folhas de couve e repolho para cozinharem no bafo do cozido. Quando elas estiverem murchado, misture com delicadeza no restante. Abaixe o fogo e retire uma boa porção do caldo para fazer o pirão.

Numa outra panela, coloque duas colheres de manteiga e ponha o caldo para ferver. Quando estiver levantando fervura, vá polvilhando a farinha de mandioca, sem deixar empelotar e mexendo sempre. Vá engrossando aos poucos e desligue quando adquirir uma consistência pastosa.

Pronto! O cozido se serve sem o caldo, comendo-se as carnes, os legumes e as verduras com arroz e pirão. Tem gente que gosta de escorrer os ingredientes e montar numa tigela e deixar uma jarra ou pequena sopeira com caldo ao lado para facilitar o serviço. Mas isso fica a seu critério.
Cozido para mim se come com um bom vinho. Sugiro um Costa do Pombal da Região do Douro, 2008.


E muito bom apetite!

Monday, March 4, 2013

Como preparar Spring Rolls: passo a passo.



Faz umas duas semanas que publiquei um spring roll de camarão que preparei lá em New York. Ficou realmente uma delícia. Mas muita gente não acreditou que é realmente fácil de fazer, então resolvi publicar um "passo a passo" do preparo para mostrar que não é nada difícil. Leva um pouco de tempo para acostumar com a textura da massa e conseguir fazer rolinhos uniformes e firmes, mas rapidamente eles vão melhorando, pode acreditar!


Então resolvi fazer de 2 tipos: um com verduras e kani-kama e outro com shitake refogado na manteiga e molho de soja. No primeiro, comprei um pacote de repolho e cenoura já ralados e ralei um pepino grande, retirando antes a pouca com os caroços. Também ralei cebola e comprei um maço de cebolinha, além de um pacote de kani-kama. 























Pegue  uma vasilha com água e ponha para esquentar no microondas por uns 3 minutos. A água deve estar bem quente, mas não demais, porque você vai mergulhar as mãos nela. Deixe tudo já preparado para a montagem dos rolinhos. Pegue uma folha da massa de arroz (alguns chamam de papel de arroz) e afunde na vasilha com a água quente. Espere alguns segundos, ou vá girando delicadamente a massa. Retire com cuidado, mantendo-a esticada. Apoie a massa sobre uma superfície firme (eu usei a tábua de plástico) e coloque um pouco de cada um dos ingredientes. 



 






 

Com cuidado, aperte os alimentos, de modo que eles fiquem bem unidos, e comece a enrolar na massa. comece pela parte da frente, dobre um pouco as laterais e depois enrole até o final. Quando a massa vai secando depois de enrolada, ela mesmo gruda e dá uma cara mais uniforme. 




Vá colocando numa bandeja, um lado do outro. Quando estiver tudo terminado, faça uma mistura com água, óleo de gergelim, molho de soja e sakê. Aqueça um minuto no microondas e está pronto para servir. Com o shitake faça o seguinte processo: refogue-o antes na manteiga com um pouco de molho de soja, até que ele amoleça. Espere esfriar um pouco para montar os rolinhos. 




Os Spring Rolls são leves, excelentes para servirem de entradas, acompanhados de uma boa cerveja ou de sakê gelado. 

Thursday, February 14, 2013

Spring Rolls de Camarão e Cebolas Caramelizadas



Foi de propósito que eu não chamei de “rolinho primavera”, não apenas com a intenção de parecer mais, digo mais, chique. É porque o que entendemos como rolinho primavera no Brasil são aqueles bolinhos fritos recheados com repolho e mergulhados naquele catchup japonês. E esses são uma “terceira” coisa: é um rolinhos frios de massa de arroz recheados com legumes, cogumelos, camarão ou o que desejar.

Confesso que meus planos iniciais eram fazer um outro prato com camarões, mas resolvi atender os desejos do meu maridão em pleno Valentine’s Day. Devo admitir: a preguiça de sair em pleno frio do inverno de New York me fez improvisar o prato apenas com camarão e cebolas e ficou maravilhoso!

No final, venci o medo inicial de fazer o prato, por achar muito complexo, mas descobri que é “baba”! Anote aí os ingredientes:

01 pacote de Spring Roll Wrappers (você encontra nas lojas de produtos orientais; são discos brancos, geralmente do tamanho de um compacto)
300g de camarões limpos e sem casca
02 cebolas picadas em fatias bem finas
Molho inglês
Shoyu
Melado de cana ou açúcar
Óleo de gergelim
Azeite
Cebolinha e Coentro picado ( se não curtir, elimina o coentro)
Sakê


Primeiro passo:

Numa panela, coloque um pouco de azeite e de óleo de gergelim para aquecer. Coloque as cebolas e vá refogando, mexendo sempre. Se precisar, acrescente um pouco de água para não secar. Quando a cebola for ficando transparente, acrescente uma colher de sopa de molho inglês, ½ xícara de shoyu e uma colher de sopa de melado ou açúcar. Cozinhe por mais um tempo e, quando a cebola estiver bem molinha, jogue os camarões. Cozinhe por alguns minutos, até o camarão mudar de cor e ficar com uma consistência “crocante”. Desligue o fogo e deixe amornar. Acrescente as cebolinhas e o coentro picado. Se tiver sobrado muito liquido no cozimento, escorra, para ficar bem sequinho.

Numa panela, aqueça um pouco de água (3 xícaras, aproximadamente). A temperatura deve ser quente o suficiente para você conseguir colocar seus dedos dentro, sem queimar. Coloque a água numa bacia. Pegue uma folha do wrapper e mergulhe dentro da bacia rapidamente. Você vai perceber que a massa amolece rápido e, tão logo ela amolecer (menos de 30 segundos), retire com cuidado, segurando pelas pontas e estique numa superfície lisa.

Com a ajuda de uma colher, pegue um montinho do camarão (eu coloquei uns 4 camarões pequenos com a cebola), na parte inferior do disco. Com cuidado, dobre a parte de baixo, feche dos lados e enrole até o final, dando a forma de uma panquequinha. Não se preocupe: você vai errar as primeiras, depois pega o jeito. Os meus não ficaram muito bonitos, mas ficaram muito gostosos.

Vá fazendo um por um, não ouse amolecer as massas todas de uma vez, tampouco colocar uma sobre a outra, porque vai grudar tudo.

Disponha os rolinhos numa travessa rasa, para ficarem fácil de pegar. Tradicionalmente se come com a mão, mas se você ou seus convidados forem nogentinhos, use hashi ou garfo e faca mesmo.

Quando estiverem prontos, pegue um potinho de louça, coloque uma pequena quantidade de shoyu, óleo de gergelim e sakê com um pouco de água. Aqueça por um minuto no microondas e está pronto pra servir. Esse molhinho serve para mergulhar os rolinhos.

Dominada a técnica, os rolinhos podem ser feitos com legumes, frutas frango, cogumelos de todos os tipos e tudo isso junto e misturado... Basta usar a criatividade. Eles também podem ser fritos, mas essa aventura fica para uma outra vez...

Bem, e para beber, recomendo um bom sakê gelado. Recomendo os da marca Ti-ku, que além de saborosos, as garrafas rendem um bom vasinho!

Wednesday, February 13, 2013

Risoto de Pêra com Queijo Gorgonzola



Já falei de alguns risotos antes no blog. E também já disse que risoto é sempre um prato fácil, prático e que pode até ser barato, porque quase qualquer coisa que se tem na geladeira pode virar um bom risoto. Um risoto ruim não é resultado de seus produtos; é a consequência de erros no preparo. Mas decidi postar esse aqui, porque é uma receita clássica, uma combinação feliz de ingredientes.

Um bom risoto começa com um bom “brodo”, que quer dizer “caldo” em italiano. É ele que vai alimentar o cozimento do arroz, enquanto o risoto é bem preparado.  Anote aí os ingredientes para o brodo:

01 cebola grande inteira
05 dentes de alho inteiros
01 tomate cortado em 4 pedaços
Cascas de pêra
Salsinha
Cebolinha
Coentro (um pouco só; pode excluir se quiser)
Pimenta-do-reino
01 copo de vinho branco
Azeite de oliva
Sal



Deixe ferver bem, até os ingredientes cozinharem. Mantenha fervendo enquanto foi usando-o no risoto e complete com mais água se precisar.

Ingredientes para o risoto:

01 e ½ xícara de arroz para risoto (arbóreo, por exemplo) sem lavar
04 pêras sem cascas cortadas em lascas de 1cm (aproximado)
250g de queijo gorgonzola picado ou ralado
Sal
Azeite
100g de Manteiga
01 copo de vinho branco
02 cebolas picadas
06 dentes de alho (picados ou inteiros)


Modo de preparar:

Descasque as peras, corte em lascas  de 1cm  mais ou menos. Coloque de molho na água com suco de limão para não escurecerem.

Esquente a panela, coloque a manteiga para derreter com um pouco de azeite. Coloque a cebola e o alho para refogar e um pouco de vinho após alguns minutos.  Quando a cebola começar a ficar transparente, adicione o arroz, misture bem e vá colocando o brodo, aos poucos, mexendo sempre, sem deixar secar. Quando o arroz estiver quase no ponto de cozimento, ainda um pouquinho duro, acrescente as pêras. Tem gente que prefere as pêras mais cozidas; eu gosto que elas fiquem macias mas ainda bem inteiras para dar um contraste com o resto da comida. Quando o arroz estiver no ponto ( o ponto é particular, tem gente que gosta de comer o arroz ainda duro, “al dente”; eu prefiro que esteja macio), acrescente o queijo gorgonzola, distribuindo sobre o risoto. Pode acrescentar queijo parmesão se quiser.

Coma imediatamente! Não espere esfriar!

E para beber, nada como um bom vinho. Encontrei um vinho espanhol delicioso, e com nome bem sugestivo, que valeu a pena comprar: Tinto Preto - Preto Picudo


Friday, February 8, 2013

Sopa com moedinhas de arroz e massala


É pessoal, faz tempo que não posto nada por aqui. Sabe como é: férias, viagens e na verdade andei mais comendo do que cozinhando. Mas retorno em estilo “saudável”, com uma descoberta incrível num restaurante coreano em New York. Estava com muita vontade de tomar uma sopinha e resolvi pedir uma “Rice cake soup” (sopa de bolo de arroz). Esse “bolo de arroz” , que eu chamei de “moedinhas” por falta de um nome mais apropriado, leva o nome de “tóc”  é na verdade uma massa feita de farinha de arroz que deve ser cozida como um macarrão. É uma massa leve, que dá “sustância”, engrossa sopas e caldos e deve servir pra um monte coisas que ainda vou descobrir e postar para vocês. A grata surpresa foi encontrar um supermercado coreano em frente ao restaurante e poder comprar as tais moedinhas. Um amigo coreano disse que é possível encontrar para comprar aqui no Brasil nas lojinhas do bairro da Liberdade e que são vendidas como "grossos cilindros" que você corta em fatias... Cuidado com os lugares que a imaginação podem levar...


Minha primeira experiência culinária com as tais moedinhas foi acrescentar na sopa de cebolas que era para ser francesa. Ao invés de engrossar a sopa com farinha de trigo, adicionei as moedinhas e ficou uma delícia.

Ontem eu fiz outra sopa com as moedinhas e com massala, um pó-tempero indiano composto de uma mistura de especiarias, que dá o sabor picante e calorento de muitos pratos indianos. Uma conhecida especialista em ayurvédica mandou ou usar massala na comida, porque sou muito guloso e ele estimula o metabolismo (#ficaadicagentegorda). Estou aproveitando o inverno-em-pleno-verão para fazer sopas. E vai aí minha receita multi-étnica:

01 abobrinha
01 beterraba
03 cenouras
02 batatas
02 cebolas
05 dentes de alho
Sal a gosto
Massala em pó (pode ser encontrado em supermercados, na parte dos temperos, como Santa Luzia e Pão de Açúcar ou na Bombay)
Azeite de Oliva
Moedinhas de Arroz

Rale todos os legumes com ralador ou mini-centrígufa (podem per picados ou até inteiros, mas eu estava com vontade deles ralados...). Adicione um pouco de sal e coloque para cozinhar na panela de pressão por cerca de 40 minutos. Quando os legumes estiverem amolecidos, adicione azeite de oliva e uma colher de sopa de. massala (cuidado para não exagerar e deixar a sopa muito picante...) . Mantenha fervendo até a massa amolecer, mas cuidado para não deixá-la muito mole, porque fica grudenda e quebradiça (eu cozinhei por mais uns 40 minutos).

Como estou light,tomei a sopa sem pão e não coloquei “aditivos”(queijo ralado, mais azeite ou outras pimentas, até para sentir bem o gosto do massala. Mas se não estivesse nessa “função”, colocaria um pouco mais de azeite e comeria com umas torradinhas. Infelizmente não tirei uma boa foto dela, mas juro que ficou uma delícia. E como estou de castigo, nem vinho eu ousei tomar, mas me refastelaria com um bom Malbec.
,enerve ma arinha de arroz que deve ser cozida como um macarrinha e resolvi pedir uma

Sunday, December 30, 2012

Peixe Assado na Folha de Bananeira




Faz quase um mês que não posto nada aqui. Perdão. Confusões de Natal. Mas para encerrar o ano com dignidade, deixo aqui uma receita praiana, litorânea, brejeira, indígena, de lambuzar os beiços. Na Bahia, em Paraty, no Guarujá e até em "Long Beach"(aka Praia Grande), dá pra fazer essa maravilha. 

Benditos indígenas! Mais do que qualquer outra forma de preparo, sou fissurado em peixes assados, principalmente na folha de bananeira. Todo mundo acha um grande mistério, mas na verdade é muito simples.

Achar a folha de bananeira também não é um grande mistério. É relativamente fácil achar bananeiras em quintais de casas, principalmente em cidades do interior ou bairros afastados. Claro, tome cuidado com cobras, escorpiões e aranhas, porque dizem que as bananeiras são resorts incríveis para essas pestes! As fibras das folhas são muito resistentes, então fica difícil tirar as folhas sem a ajuda de uma faca ou tesoura. Procure cortar a folha inteira e deixe o trabalho de cortar a parte mole da folha pra depois. Se você conseguiu colher a folha, passe uma faca ou uma tesoura com cuidado rente ao “caule” da folha (a parte dura do meio, se é que se chama caule) e vá segurando para não rasgar. Lógico que o resultado mais bonito é conseguir tirar a folha inteira, sem rasgar, mas isso não é o mais importante.

Caso não vá usar na hora, pode dobrar ou fazer um pequeno rolinho, embalar em filme plástico e congelar. Na Feira de São Joaquim, em Salvador, é possível achar as folhas impecavelmente cortadas, prontas para uso. Talvez seja fácil conseguir nos mercados de outras cidades. Mas se não quiser ter esse trabalho indígena, existem alguns lugares que vendem também (http://www.folhadabananeira.com.br/onde-conseguir.php).

E quanto ao tipo de peixe? Vale tudo. Com exceção aos peixes amazônicos, eu não costumo gostar de peixes de rio, pelo gosto forte que têm. Prefiro os de mar, mas isso fica a gosto do freguês. Badejo, Vermelho, Pintado, Dourado são meus prediletos. O peixe pode ser inteiro ou em postas, embrulhadinho um por um. Um jeito interessante de fazer com os peixes grandes, como o pirarucu, é mandar cortar o lombo no meio, como se fosse um livro, para depois rechear e enrolar com um rocambole.

Essa versão, aqui na casa de minha amiga Darluce, em Salvador, foi feita com um Dourado fresquinho, comprado no mercado de peixe, já limpo. Pedi para deixar a cabeça, mas cortei na hora de assar por dois motivos: (1) não deixar a filha da minha amiga impressionada em ver o peixinho morto; (2) fazer um delicioso pirão com ela.

O recheio fica a gosto do comedor. Eu costumo usar uma variedade de legumes, especiarias e temperos. Dessa vez usei maçãs, cebola roxa, cebolinha, coentro (coisa que os paulistas em geral detestam), sal, tomilho, alho com casca e tudo,  azeite e pimenta do reino. Eu também gosto de colocar mandioquinha, castanha, camarão, azeitona, alcaparras. Vale também colocar um pouco de pinga. Tudo depende da “vibe”e dos ingredientes disponíveis. Corte tudo em cubos, misture numa vasilha.


 

 Lave o peixe antes de usá-lo. Depois abra como um livro e coloque o recheio nele. Coloque as folhas de bananeira na assadeira, com a parte mais escura para baixo. Se quiser facilitar, coloque já várias tiras de barbante ou linha de costura embaixo da folha para amarrar depois. Ele pode ser assado sobre a assadeira no forno, para não fazer sujeira ou na brasa, se você tiver esse luxo à mão.  Coloque o peixe sobre a folha, já acomodado para não mexer muito nele. Abra o peixe e coloque o recheio generosamente. Feche o peixe com cuidado e dobre as folhas sobre ele. Se você não conseguiu folhas inteiras ou elas se partiram nessa hora, não tem problema. Apenas se assegure de preencher todos os buracos com pedaços de folhas e amarrar com força. Amarre bem, deixando o peixe bem embrulhado. Leve ao forno pré-aquecido ou à brasa. Em geral, o peixe leve de 1:30 a 2 horas para assar. Mas vale fazer um delicado furinho com um garfo e pegar um pedacinho para testar.


Sirva com arroz, com salada, com pirão ou simplesmente com uma farinha torrada. Para fazer o pirão, coloquei a cabeça para ferver (arranque os olhos do coitado antes...) com alho, cebola, cebolinha, pimenta, louro, azeite, sal. Cozinhe com a panela tampada por bastante tempo, até a carninha se desprender toda das cartilagens. Tire os temperos, as cartilagens e as partes “melequentas” e desmanche o peixe com um garfo. Leve novamente ao fogo. Pode acrescentar um pouco de dendê, mas isso não é regra. Vá despejando aos poucos a farinha de mandioca, mexendo sempre para não empelotar, até adquirir a consistência de pirão (melequenta...).

E bom apetite!




Friday, November 23, 2012

Terrine de Carne e de Vegetais





As Terrines (ou “terrinas”, no português, como encontrei em algum sites... péssimo!) são massas sólidas de carnes ou legumes assadas em fatiadas, servidas frias como antepasto ou até mesmo como prato principal. Originalmente, terrine é o nome que se dá ao recipiente retangular e refratário com tampa utilizado para fazer esse tipo de “patê assado” que acabou dando o nome ao prato. O interessante da terrine é que, com bom gosto e criatividade, se pode fazer com praticamente todo tipo de carnes, legumes ou queijos. É um prato bastante fácil de preparar, que tem um bom aspecto, sabor maravilhoso e, dependendo do ingrediente utilizado, muito barato.

Em São Paulo, há dois lugares que servem terrines deliciosas: o Le Jazz e o La Tartine. O Le Jazz é um bistrô bastante sofisticado, com um cardápio bem típico dos restaurantes franceses, uma atmosfera agradável e uma música ambiente que não atrapalha a conversa. Adeptos da "Eau de Carafe" (água filtrada servida em jarras que não são cobradas). A bisteca e o entrecote são fantásticos. Eles têm uma deliciosa terrine Campagne servida com saladinha e pão tostado e outra fantástica de joelho de porco. Os pratos são bem servidos e tanto a comida quanto as bebidas têm preço justo.


Já o La Tartine tem uma proposta mais simples. Móveis antigos, atmosfera mais amistosa e descontraída, com direito a apresentações de acordeon vez ou outra. Preços bem mais acessíveis, mas uma comida deliciosa que mantém o sabor e a qualidade há anos. O patê de Campagne, uma terrine deliciosa acompanhada de cornichons (aqueles pepinos minúsculos em conservas) e mini-échalottes (pequenas cebolas em conserva) é sempre uma boa pedida. Mas não deixe de experimentar as deliciosas quiches e os pratos do dia, como o Couscouz Marroquino às sextas-feiras.



Você vai precisar de uma forma de assar bolo inglês, porque as terrines têm geralmente essa forma. Ou a própria terrina, feita geralmente de cerâmica ou ferro. 

Terrine de Carne

300g de carne moída duas vezes
100g de gordura de porco pastosa ou moída
200g de gordura de porco limpa, cortada em fatias bem finas
200g de presunto cozido cortado em cubos
200g de bacon cortado em cubos
100g de nozes ou castanhas-do-Pará
01 copo de vinho tinto
01 dose de rum
01 ovo
06 azeitonas picadas
06 mini-pepinos (cornichons) picados
Cravo, canela, pimenta-do-reino em pó
Sal

Numa vasilha, misture bem todos os ingredientes, com exceção das fatias de gordura. Forre a assadeira com as fatias de gordura  e coloque a “massa” de carne
dentro da assadeira, amassando bem, para que fique bem compactada. Cubra com mais fatias de gordura e coloque para assar em forno pré-aquecido a 180 graus, por1 hora e ½. Retire do forno e espere esfriar, colocando um peso (panela de ferro, por exemplo)  sobre a terrine, para ela “abaixar”. Para servir, corte em fatias finas, molhando a faca em água morna para não grudar e desfazer a terrine. Sirva com cornichons, salada, legumes cozidos, azeitonas e mostarda Dijon.

Terrine de Aspargos e Queijo Chèvre

 


















20 aspargos crus
250g de queijo chèvre (queijo de cabra)
01 pote de queijo tipo cottage
01 lata de sopa de tomate ou outra sopa da sua preferência (pode ser um velouté de legumes da sua preferência.
Manteiga
02 envelopes de gelatina incolor.
Sal

Deixe os queijos pelo menos uma hora fora da geladeira. Numa frigideira, cozinhe os aspargos na manteiga e azeite (misturar manteiga com azeite faz com que a manteiga não queime) com um pouco de sal, até que eles fiquem macios sem ficarem moles demais e separe. Misture o chèvre com o cottage até formarem uma massa homogênea. Numa vasilha, aqueça essa mistura em banho-maria ou por 1 minuto no microondas e misture 01 envelope da gelatina incolor e separe. Em outra vasilha, aqueça a sopa ou o velouté e adicione o outro envelope de gelatina.

Na assadeira, coloque uma parte dos aspargos e por cima uma parte da mistura de queijos. Coloque no congelador até que endureça um pouco. Coloque a camada de sopa/velouté, leve novamente ao congelador para endurecer e faça novas camdas com os aspargos e o queijo. Leve ao forno pré-aquecido a 180 graus por 40 minutos. Deixe esfriar e sirva do mesmo modo que a terrine de carne.
 


E para beber, recomendo um delicioso Côtes du Rhône!


Et Bon Appétit!
Le Jazz - Brasserie(http://www.lejazz.com.br)
R. dos Pinheiros, 254 - Pinheiros  São Paulo, 05422-012
(11) 2359-8141
R. Dr. Melo Alves, 734
Jardim Paulista, São Paulo
Fone: 3062-9797

La Tartine
R. Fernando de Albuquerque, 267, Consolação  São Paulo, 01309-030
(11) 3259-2090