Sunday, December 12, 2010

Transportando bebidas (antes do Duty Free!)


É claro que eu já fiz isso. Várias vezes. Mas devo confessar que não é meu item de transporte predileto. Eu explico: garrafas pesam, garrafas podem quebrar e estragar todas as outras compras. E nós temos a maioria das bebidas que trazemos a preços acessíveis aqui no Brasil. As exceções são para bebidas raras ou de extremo valor sentimental para quem compra.

Mas, se você for trazer, cuide de embrulhar, primeiro, em várias camadas de papel jornal ou papel de seda, porque ajudam a absorver o líquido caso as garrafas se quebrem e em vários sacos plásticos ou em várias camadas de filme plástico. E mesmo assim ainda pode vazar. Depois, embrulhe em várias camadas de roupas, de preferência as escuras, que vão manchar menos. Casacos são uma boa pedida.

Transportando pães.


Sim, eu trago pães do “estrangeiro”, mas somente alguns pães especiais que não encontro aqui no Brasil. Um deles é o Bagel, que é um pão de origem judaica, feito de uma massa cozida. Sim, existem bagels no Brasil, mas nem de longe se comparam aos que se comem nos Estados Unidos, principalmente em New York. Quando eu os trago, compro as embalagens prontas de supermercado, porque são mais fáceis de carregar e os pães são mais duráveis. Eles duram bastante tempo na geladeira ou, caso queira armazenar grandes quantidades, basta mete-los no freezer. Para comer, basta tirar do freezer e colocar alguns minutos no forno, que eles ficam crocantes, deliciosos para comer com cream cheese ou com frios.

Um outro pão que tenho “importado” é o English Muffin. Ele é feito de uma farinha meio arenosa e sem tostar tem um gosto meio encruado, mas tostadinho na torradeira ou no forno, fica muito gostoso. Esse ainda não encontrei no Brasil, mas parece que Deus inspirou sua invenção apenas para entrar na composição dos Eggs Benedicts (ou Ovos Beneditinos), uma fantástica composição de English Muffin, ovos poché, bacon canadense e molho holandês. Mais para frente darei a vocês um capítulo exclusivo sobre “Ovos” e então explicarei com mais vagar...

Geralmente eu trago os pães na própria embalagem, em mais dois sacos plásticos de supermercado, para não correr o risco de pegar cheiro de perfumes, cosméticos ou roupa suja. Dependendo da “gravidade” da mala, eles podem sair um pouquinho amassados, mas eu não considero isso um problema grave.

Transportando queijos.


Uma coisa é importante lembrar: queijo fede. Queijinho, queijão, francês, português, espanhol, nordestino. Queijo é queijo e, bastou degelar um pouco, libera seus famosos “gases”. Então é preciso tomar todos os cuidados para que o queijo feda o menos possível.

Os queijos em geral suportam bem uma pequena variação de temperatura no transporte. Por isso, não é necessário congelar, até porque o degelo durante a viagem pode acarretar o fenômeno da água fedida de gelo sobre suas roupas.

Houve uma vez que estava voltando de Paris e encontrei um conhecido. Estávamos na fila do check in e ele tinha uma sacola com dois ou três queijos. Recomendei que ele despachasse a sacola dentro da mala, mas ele disse que não precisava. Passadas menos de duas horas de vôo, os queijos começaram a feder. Cada vez que alguém abrir a porta do compartimento de bagagem, um cheiro insuportável tomava conta do avião. Todo mundo reclamava. E, depois de algum tempo, nem precisava mais abrir a porta.

Desde a minha primeira viagem à França, em 2004, tenho aprimorado o método de embrulhar queijos para trazer nas viagens. Da primeira vez, embrulhei-os um a um em papéis de pão e sacolinhas de supermercado e acondicionei-os entre as roupas sujas. Foi realmente uma prova de fogo, porque minha conexão foi cancelada devido a um acidente e tive que permanecer 24 horas a mais. Eles chegaram sãos e salvos, mas acho que foi graças ao inverno de Chicago e o clima frio dentro do compartimento do avião que eles não estragaram.

Os anos foram passando, e fui testando novas técnicas de transporte. Embrulhar os queijos separadamente em filme plástico (Rolopac, Magipac), geralmente é uma ótima alternativa. Em minha penúltima viagem, embrulhei-os dessa forma e ainda coloquei-os dentro de uma sacola térmica vendida nos supermercados e eles chegaram geladinhos! Mas em minha última viagem, a pressa e a preguiça deram origem a uma nova e eficiente forma de acondicionamento: embrulhei a sacola térmica que continha os queijos com várias voltas de filme plástico. O resultado foi perfeito, pois eles chegaram geladinhos, não tive que embrulhar um por um e o pacote ficou firme, evitando que eles sofressem alguma deformação.

Já trouxe queijos de vários lugares, mas na França, costumo comprar os queijos no supermercado, de várias marcas, tamanhos e modelos. Eles são mais baratos, um pouco mais industrializados, portanto duram mais e são menos fedidos que nas fromageries (lojas especializadas em queijos). Os meus prediletos são: um tipo de camembert chamado Pié d´Angloys, um cambert chamado Coeur de Lyon, o brie e o camembert Président, os queijos cremosos da marca La Vache Qui Rit ( The Laughing Cow), os queijos de cabra (fromage de chèvre) e os camemberts de Chèvre. Além desses, tem um tipo de queijo da região da Normandia que é bastante aerado, chamado Neufchâtel e principalmente o meu predileto, chamado Gaperon. O Gaperon é um queijo de vaca preparado com alho e pimenta do reino, proveniente da região de Auvergne.

Já trouxe queijos de Praga, de Portugal, da Alemanha, dos Estados Unidos. Em Portugal, vale à pena trazer duas relíquias que são caríssimas aqui no Brasil: o queijo da Serra da Estrela e o queijo do Azeitão. Eles têm basicamente o mesmo processo de fabricação: são queijos curados de leite de ovelha que criam uma casca externa amarelada e são compostos de um maravilhoso creme por dentro. Para comer, tira-se com pelo menos meia hora de antecedência da geladeira, abre-se a “tampa” da casca do queijo e come-se passando no pão, às colheradas. O queijo do Azeitão tem um sabor ligeiramente mais ácido, que eu acho até mais saboroso. Por serem bastante delicados, a casca vem embrulhada lateralmente em um pano branco e muitas vezes são acondicionados em caixas de papel ou de madeira.

Em New York, a minha “pérola queijeira” é um queijo pecorino italiano vendido no Dean & Deluca. O pecorino é um queijo de leite de ovelha cujo gosto lembra o parmesão. Já comi vários pecorinos, mas esse, em especial, tem um sabor forte e uns micro-cristais salgadinhos no meio. Não me recordo a marca do queijo; só posso dizer que é fantástico. Esse não é difícil de transportar: é caro, duro e não fede muito. Basta embrulhar numa sacola plástica.

Viagens e culinária.

Quase todo mundo que me conhece sabe e quem não sabia, vai perceber rapidamente: amo viajar. E uma das coisas que mais me entretém e me diverte nas viagens é comer. Não apenas ir a restaurantes chiques, mas conhecer lugares inusitados, curiosos e, principalmente visitar empórios e supermercados. Lembro da primeira vez que fui a New York, em 2003. Fiquei hospedado na casa de uma amiga e, no primeiro dia de viagem, fui a um supermercado próximo para comprar pão e leite. Meus amigos pensavam que eu havia me perdido, porque passei quase duas horas admirando aquelas prateleiras todas com todo tipo de comida, tudo tão bonito, tão bem feito.

Geralmente dedico o último dia de viagem para fazer compras no supermercado “local” e, durante a viagem também aproveito para ir colecionando artigos “especiais” de determinados lugares, planejados ou não.

Eu até hoje não consigo compreender quando alguém me fala que “em tal lugar se come muito mal” ou “nossa, a comida de tal lugar é horrível”. Eu dava um desconto para as pessoas que viajavam antigamente, antes da globalização e com menos recursos linguísticos. Mas atualmente, isso é quase impossível de ocorrer. É lógico que eu já tive experiências gastronômicas ruins ou frustrantes diversas vezes. E elas geralmente foram resultado de indicações através de guias e roteiros turísticos comprados em livrarias ou de sugestões de pessoas com gosto duvidoso.

É claro que as pessoas têm gostos e predileções das mais variadas. Mas eu tenho recebido elogios das indicações que dou nas diferentes viagens.

Mas, além da experiência gastronômica “in loco”, esteja sempre preparado para trazer umas comidinhas na mala. É claro que existem leis sobre transporte de alimentos em viagens, sobretudo as internacionais, mas a gente sempre consegue trazer alguma coisinha. Molhos, compotas, conservas, chocolates, cereais, castanhas e um monte de outros produtos, desde que corretamente embalados não costumam causar problemas. Deve-se tomar cuidado ao trazer alimentos frescos, tanto pelos riscos de contaminação ambiental quanto pelos eventos desagradáveis, principalmente o mau cheiro e vazamentos.

Adoro os molhos prontos de salada vendidos nos Estados Unidos. Há uma riqueza de sabores que não encontramos por aqui. Eu adoro um Honey Dijon da marca Ken´s, que é meio difícil de encontrar; então quando acho, trago vários. Mas já que é para trazer, é legal dar preferência aos mais sofisticados, feitos com flores, ervas e frutas e de marcas mais orgânicas, menos industrializadas. Até porque eu descobri que, ao misturar mel com mostarda Dijon, consigo um molho bem melhor que o da Ken´s. Além dos molhos líquidos, os americanos são reis das coisas prontas desidratadas. A Knorr tem uma linha de molhos em pó, que em geral ficam prontos com manteiga e leite no fogo. É o exemplo do Molho Holandês, do Molho Bernaise e tantos outros maravilhosos, com a vantagem de serem muito baratos e práticos para carregar.

E para quem gosta de amêndoas, eu sugiro as maravilhosas amêndoas defumadas do Dean & Deluca, um maravilhoso empório gastronômico com sede em New York e filiais em algumas outras cidades americanas. É o Santa Luzia com “chicosidade” multiplicada à enésima potência. E para quem já comeu amêndoas defumadas, esqueça. Você não será o mesmo depois dessas.

Cá estamos!


Atendendo a pedidos, cá estamos. Sangue italiano nas veias, venho de uma família comilona. Nasci comilão, devo morrer comilão e, no meio do caminho, fui desenvolvendo mais e mais meu interesse por comidas dos vários lugares por onde passei. Bares, restaurantes, viagens.

Tem muita gente que faz um monte de cursos, compra um monte de apetrechos caros para a cozinha e, mesmo assim, não sabe cozinhar. Então esqueça isso.

Os únicos cursos de culinária que fiz em minha vida foram dois ou três workshops na época em que fabricava chocolates e pães-de-mel com minha mãe. Minhas principais escolas foram a curiosidade, a teimosia e o prazer por cozinhar e comer.

Também não tenho materiais de alta gastronomia em casa. Acho bonito ter, mas não são essenciais. Importante é ter boas panelas, colher de pau, facas que cortam e um bom fogão. Tendo isso tudo, aliado a bons ingredientes, é possível cozinhar quase tudo.

Se eu for citar um grande inspirador, posso dizer que foi o chef inglês Jamie Oliver. Comecei a assistir os programas dele há alguns anos e o que mais me encantava no seu trabalho é a simplicidade com que faz os pratos, tornando a culinária acessível às práticas do cotidiano.