Thursday, January 26, 2012

Arroz de Puta Rica*


* Com os devidos créditos de partner culinária à minha amiga Tuca Aguirre

Eu conheci esse arroz no restaurante Vira-lata, em São Paulo, na época em que ele ainda era bom. A última vez que estive lá, o arroz parecia mais de puta pobre do que rica... Mas deixou de herança a inspiração para cozinhar para os amigos.

Andei passeando pela net pra descobrir as origens desse delicioso arroz. “Noves fora”, parece que ele vem lá do Cerrado, inventado pelas putas de lá. Não sei é verdade, mas sua criação deve ser similar à do molho putanesca, do mexidão e da sopa de legumes: sobras de comida do dia anterior, ofertados às putas nas portas dos restaurantes, ou como forma de reaproveitamento da comida nas casas de boa família.

Mas se o arroz era feito de sobras, porque é de puta rica? Creio que o que “enriquece” o arroz é o açafrão que, além de deixar um sabor maravilhoso na comida, dá uma linda cor amarela ao prato. Fica um luxo mesmo.

Algumas fontes falam do arroz sendo feito com pequi, mas eu penso que arroz com pequi é uma outra coisa e não tem nada a ver com puta rica. Até porque pequi no cerrado é igual banana no litoral: pencas e pencas.

Então chega de “putaria” e vamos direto ao fogão:

4 xícaras de arroz

½ kg de coxinhas de asa ou coxas de frango

½ kg de linguiça de porco

½ kg de costela de boi

250g de lombo de porco

250g de bacon

2 linguiças calabreza grossas

02 cebolas médias picadas

01 cenoura picada em cubos

02 latas de ervilha

02 latas de milho verde

05 dentes de alho;

01 lata de palmito picado ( e não me venha com pupunha!)

15 azeitonas sem caroço em rodelas;

Sal, pimenta-do-reino, cebolinha verde picada.

02 ou 03 batões de açafrão ou 02 colheres de sopa de açafrão-da-terra ( cúrcuma)

01 copo de pinga

01 kg de tomate picado em cubos

Azeite de oliva ou manteiga de garrafa

Modo de fazer:

Coloque o frango para cozinhar com bastante água na panela de pessão, temperado com sal, pimenta, um pouco de pinga, salsa e cebolinha, alho e cebola. Quando estiver bem macio, desligue, escorra e reserve o caldo.

Numa panela grande, refogue o alho, a cebola e o bacon com o azeite ou com a manteiga. Quando estiverem bem dourados, frite a costela até que ela esteja bem macia e dourada (recomendo cozinhar a costela antes na panela de pressão. Quando estiver boa, acrescente as outras carnes, o arroz e a pinga, utlizando o caldo de frango para completar, conforme a água for secando. Mexa pouco e com cuidado para não empapar o arroz. Ainda com o arroz um pouco duro, acrescente o açafrão, a pimenta-do-reino, as azeitonas, o palmito, a ervilha e o milho. Quando o arroz estiver bom, desligue o fogo e acrescente a salsa e a cebolinha picadas frescas. Adicione manteiga de garrafa ou azeite por cima e sirva.

Pode ser comido sozinho, ou acompanhando uma carne e serve bem umas 8 pessoas.

“Sorobô”, “Restô d’ontê” ou “Jatevi”: a puta que ficou rica sabe que dinheiro não dá em árvores. Então, se sobrou o arroz, acrescente farinha de trigo, uns 2 ovos e um pouco de manteiga e faça um delicioso bolinho que pode ser servido com algum molho ou mesmo com geléia de pimenta.

No frio, ele cai super bem com um bom vinho tinto. Mas com esse tempo abafado, uma cervejinha cai muito bem e eu recomendo a Cerveja Opa, uma marca artesanal de Joinville, que tem até uma versão sem álcool bem gostosa, para os abstêmios!